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terça-feira, 6 de maio de 2014

Onde falham as religiões



Por Ahmad Sunbulat Neto

Ao escrever este artigo, tomo por base um dos maiores homens da história da humanidade; trata-se de Abraham Lincoln, 16.° Presidente dos Estados Unidos da América, que governou esse país de 04 de março de 1861 a 15 de abril de 1865, por ocasião de seu assassinato. Lincoln foi responsável pelo fim da escravidão, e conseguiu manter a união durante uma das maiores crises internas americanas, além de fortalecer o governo e modernizar a economia. Em uma das suas celebres frases, Abraham Lincohn disse: “Não me interessa nenhuma religião cujos princípios não melhoram nem tomam em consideração as condições dos animais”.
Ora, a questão é, se esse valoroso homem, em meio a tantos combates e turbulências em sua vida, em meio a tantas lutas e contrariedades, medos e decisões difíceis era sensível a causa animal, por que as religiões que tanto falam em caridade não o são? Perguntem aos líderes religiosos que tanto pregam o amor ao próximo, “por que não defendem os inocentes animais”, que todos os dias são submetidos à humilhação, à dor e à morte para servir de alimento a uma parte da humanidade, além de serem usados em testes de laboratório, ou simplesmente mortos para que suas peles sirvam de vestuário. A verdade é que as religiões ocidentais não se preocupam com os animais, pois os consideram seres sem alma e sem sentimentos, tal qual os escravagistas do passado pensavam sobre os negros e os nazistas pensavam sobre os judeus, e por isso lhes impuseram tanta dor, humilhação, sofrimento e morte. Com toda a certeza, todas as religiões se destinam a um propósito nobre, buscando aproximar os homens de Deus. Porém, seus esforços ficam apenas na esfera da atuação humana, devendo uma preocupação maior com relação a preservação do planeta, do equilíbrio ecológico e, sobretudo, do respeito à vida e ao bem estar dos animais. Há também uma outra questão; as lutas em prol do planeta e dos animais não rende dinheiro nem da status social a esses “religiosos”. Essa é sem dúvida a maior de todas as falhas das religiões ocidentais. Não há uma que se pronuncie nesta questão, nem mesmo as reencarnacionistas, tirando algumas poucas casas espíritas como a Asseama de São Paulo, que se ocupa em defender as pobres criaturas. Lamentavelmente, o que se observa, são pessoas que estão a frente dos estudos sobre a vida após a morte, sem nenhum preparo espiritual real, pois doutrinam outras pessoas sobre a lei de ação e reação, o amor fraterno e a caridade, e em seguida comemoram seus resultados com o sangue dos inocente animais, a custo de muito sofrimento e horror. Promovem suas festas com mesas fartas de almoços ditos “fraternos”, a título de angariar recursos para manterem suas atividades. Mas nem toda “beleza” de seus pratos consegue esconder uma vida de tortura e de indignidade imposta as pobres e indefesas criaturas de Deus, provocada por outros seres cruéis, ditos “humanos”. E assim, a exemplo das religiões que praticam o assassinato de animais em seus rituais, também os católicos, evangélicos e, em sua maioria, os espíritas são coniventes com a prática de abusos contra a natureza, posto que se não a destroem diretamente, o fazem indiretamente ao comprar e consumir carne e outros derivados de origem animal. Se pararem para pensar, vão ver que seus esforços em ajudar o próximo são em vão, visto os sofrimentos que graçam na humanidade. As doenças da alma e do corpo são cada vez mais graves. Pessoas deprimidas, angustiadas, portadoras de várias fobias sociais, cânceres cada vez mais agressivos, doenças hepáticas, doenças do coração e obesidade mórbida são apenas alguns exemplos desta triste e alarmante realidade. Mas não são apenas as questões de saúde que o consumo de carne e outros produtos de origem animal são negativamente impactantes, pois há outras implicações. A criação para o abate, o confinamento e o manejo cruel desses seres trazem também graves problemas a economia dos países, sobretudo do Brasil. Terríveis problemas sociais, tais como a fome, o desemprego, a falta de moradia, o abismo da desigualdade social, a subutilização do solo agricultável e o fim dos recursos hídricos são efeitos ainda mais graves desta cultura monstruosa. E como se não bastasse, essa prática econômica perniciosa, traz um enorme atraso à evolução espiritual do homem. Como vemos, as religiões em sua grande maioria, falham terrivelmente ao não ensinar sobre isso. Por esse motivo, sou vegetariano e ativista da causa animal, e há muito tempo desisti das religiões ocidentais e me tornei simpatizante de algumas filosofias orientais que, como eu, defendem a vida dos animais. E faço minhas as palavras do grande e iluminado Abraham Lincoln; Também a mim não interessa nenhuma religião cujos princípios não melhoram nem tomam em consideração as condições dos animais”.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Olimpíada russa custa mais que o dobro da Copa 2014 e Rio 2016 juntas




Uma olimpíada com uma tocha enviada ao Polo Norte e ao espaço, uma estrada pavimentada com "ouro e caviar" – nas palavras de um crítico – com contratos exorbitantes executados por amigos do presidente e um estádio para 40 mil pessoas que será usado apenas duas vezes.

Essas são algumas das peculiaridades dos Jogos de Inverno de Sochi, que começam nesta sexta-feira na Rússia, e estão sendo chamados de a "Olimpíada mais cara da história". O orçamento não-oficial dos Jogos, de US$ 50 bilhões, seria suficiente para custear todas as obras somadas da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos do Rio 2016.


Em seu planejamento oficial, entre recursos públicos e privados, o Brasil está gastando uma fração desse valor para todas as obras – tanto as de infraestrutura como os estádios.O governo russo afirma que o orçamento oficial é de US$ 7 bilhões – levando em conta apenas obras diretamente ligadas aos Jogos. Mas o governo reconhece que foram gastos os US$ 50 bilhões – quando somados todos os investimentos em infraestrutura na rica região de Sochi, no sul da Rússia.

Segundo o mais recente balanço, divulgado em novembro pelo Ministério do Esporte, a Copa do Mundo de 2014 tem um orçamento de R$ 25,6 bilhões (ou cerca de US$ 10,6 bilhões, com o câmbio atual). Para a Olimpíada de 2016, foi previsto um orçamento de US$ 14,4 bilhões, segundo o documento de candidatura, com valores de 2009.

Especialistas acreditam que os custos dos eventos no Brasil ainda podem subir bastante - mas dificilmente chegariam perto do gasto na Rússia. A cidade de Londres gastou US$ 13,9 bilhões na Olimpíada de 2012.
Estrada de 'ouro e caviar'


Desde 2010, Sochi vem recebendo investimentos para transformar o balneário de veraneio russo – onde a média histórica das mínimas nunca fica abaixo de quatro graus – na meca dos esportes de inverno.

Em um raio de poucos metros, próximo à orla do Mar Negro, foram construídas duas arenas de hóquei, uma de curling e dois estádios com rinques de patinação. As competições de esqui acontecerão nas montanhas que cercam o balneário.

Um dos maiores estádios dos jogos – o Fisht – tem capacidade para 40 mil pessoas e sequer vai abrigar eventos esportivos. Ele será usado em apenas duas ocasiões: para as cerimônias de abertura e encerramento.

Mas os estádios nem são os itens mais caros do orçamento. As obras para construção de uma estrada e uma ferrovia de 28 quilômetros entre o aeroporto local e a região de Krasnaya Polyana, onde também haverá competições, custaram US$ 8,7 bilhões.

Esse valor é mais que o orçamento total da Olimpíada de Inverno anterior, em Vancouver, segundo a Fundação Anti-Corrupção, uma ONG de Moscou que faz ativismo contra os gastos dos Jogos. Segundo o site sochi.fbk.info, mantido pela entidade, o governo russo entrou com 54% do total de recursos.

O diretor executivo da Fundação, Vladimir Ashurkov, disse à BBC Brasil que os custos dos estádios em Sochi são de 1,5 a 2,5 vezes maiores do que o normal - ao comparar as obras das Olimpíadas de Inverno com outros estádios.

"Nós acreditamos que os grandes motivos por trás do aumento dos gastos são a corrupção", diz Ashurkov.

O político de oposição Boris Nemtsov, que virou uma espécie de porta-voz contra os gastos nos Jogos, disse a uma televisão russa que a estrada poderia ter sido pavimentada com "cinco milhões de toneladas de ouro ou caviar, que o preço da obra teria sido o mesmo".

Os ativistas e a oposição também acusam o governo russo de favorecer os aliados do presidente Vladimir Putin. As empresas de um amigo de adolescência de Putin, Arkady Rotenberg, receberam US$ 7,4 bilhões em contratos – mais da metade de todo o orçamento dos Jogos do Rio.
'Enviado de Deus'

Rotenberg nega ter se beneficiado de sua relação com Putin – a quem chamou de "um enviado de Deus ao nosso país", em recente entrevista a um jornal britânico.

Uma auditoria feita pelo próprio governo em 2012 apurou que mais de meio bilhão de dólares em gastos seriam "fora do razoável". Putin foi à televisão para dizer que o aumento nos gastos aconteceu apenas por conta de erros de estimativa dos investidores, e não por má-fé.


Competições de esqui acontecerão em montanhas que cercam o balneário do Mar Negro

"Se alguém tem essa informação (de que houve corrupção), por favor nos mostre. Mas até agora, nós não vimos nada além de especulações", disse o presidente.

Os organizadores dos Jogos também se defendem das acusações de gastos excessivos e favorecimento. O diretor do Comitê Organizador, Dmitry Chernyshenko, disse à BBC que o orçamento de US$ 50 bilhões inclui obras que seriam feitas mesmo no caso de Sochi não ter sido escolhida a sede dos Jogos.

Sobre os contratos com Rotenberg, Chernyshenko afirma que "não está na melhor posição para avaliar a eficiência da licitação, mas elas foram feitas de forma aberta e transparente".

Ele diz que, a exemplo do que ocorreu com os Jogos de Pequim de 2008 – que, com orçamento de US$ 43 bilhões, foram os mais caros daquela época – a Rússia quer usar a Olimpíada para apresentar uma nova imagem do país ao mundo.

O governo russo justifica os altos gastos dizendo que quer projetar internacionalmente uma imagem positiva do país - de vigor econômico e prosperidade.

"Nós queremos contar ao mundo a história da nova e moderna Rússia", disse ele.
Turismo


Rússia quer deixar em Sochi um legado de esportes e turismo

O governo russo diz também querer manter um legado vivo de turismo e esportes na cidade. Em outubro, Sochi abrigará o primeiro GP da Rússia de Fórmula 1 da história.

O estádio Fisht está nos planos das autoridades para a Copa do Mundo de 2018, que também será disputada na Rússia. Para este torneio, o orçamento inicial previsto na candidatura já duplicou, e está atualmente em US$ 19 bilhões - quase o dobro do gasto previsto para o Brasil em 2014.

O diretor-executivo da Fundação Anti-Corrupção acredita que o mesmo caso - de gastos excessivos e corrupção - se repetirá na Copa.

"Com metade do dinheiro gasto em Sochi, US$ 25 bilhões, já seria possível fazer um evento fabuloso, que é o que os russos querem ver. A outra metade poderia ter sido gasta em projetos de desenvolvimento social", disse ele à BBC Brasil.

"Treze milhões de pessoas não têm água quente em casa. Dez milhões não têm acesso a saneamento."

Fonte: BBC Brasil