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quinta-feira, 3 de abril de 2014

Nas baladas da vida



Por Ahmad Neto

O final de semana, para Lucas e Carine, chegou. Depois daquele banho demorado, um perfume dos mais caros sobre a pele. Sabe aquele que custa mais ou menos a metade do que eles ganham? Pois é... colocar a melhor roupa... não, não! A melhor roupa não! Mas aquela que a deixa mais sexy, que marca melhor seu corpo e que evidencia suas curvas. É! Cada um com seu estilo... Carine escolhe um scarpin de salto alto, aliás, quanto mais alto melhor. É preciso chamar a atenção pela beleza. Lucas, pronto para sair, meio que despojado, calça jeans, camisa clara e tênis de marca, vai para a balada. Lucas e Carine não se conhecem, mas vão se “esbarrar” lá no point. Aos vinte e poucos anos ainda não se dedicam a construir relações. Essas “bobagens” de gente mais velha, que acha que a gente tem que ir devagar, se conhecer melhor e coisa e tal... Carine e Lucas, a exemplo de muitos jovens de sua idade, só querem curtir, ficar, beijar e, quem sabe, transar. Danças sensuais, movimentos sincronizados. Pensam: “Sou o máximo, sorte de quem ficar comigo”. Não é que não sejam especiais... mas num ambiente daqueles, cheio de outras pessoas, entre as danças engraçadas e as curiosas, entre caras e bocas, olhares “misteriosos” e “sedutores” e a mistura de cheiros, perfumes e hálitos, todo mundo se acha especial mesmo. Carine vê Lucas, Lucas vê Carine. Pensa ela: “Cara bonito, sarado. Será que me viu?” Pensa ele: “Mó mina! Corpão! Se dé mole eu pego”. Dançam, aproximam-se, entreolham-se... “E aí? belê? Aborda Lucas. “Beleza!” Responde Carine. Algum tempo depois, na área reservada aos fumantes, longe da pista de dança e do som ensurdecedor da banda, entre beijos e abraços, muita “pegação” e nada de sentimentos. Não há promessas, expectativas ou qualquer outra forma de compromisso. A noite segue e passa, como a noite de cinderela, em busca do príncipe encantado, passou para Carine. Lucas, por sua vez, já não é mais o astuto “caçador” que levou sua “presa” para o abate. A noite de fantasias passou como passam todas as noites, e todos os dias, entre luas e sóis. Seguem a rotina do dia-a-dia, esperando pelo próximo final de semana, quando poderão viver apenas para os sentidos imediatos. Quando olhares apaixonados são trocados por olhares de sedução, palavras de amor por beijos sem emoção, abraços por agarração e carinhos por pegação. Para uns, bebida, para outros, drogas, e para outros ainda, as duas coisas. No silêncio de seus quartos, os pensamentos vagueiam. Vida vazia, tempo perdido. Horas que poderiam ter sido aproveitadas para ler um bom livro, assistir a um bom filme ou para se juntar a pessoas interessantes num longo e proveitoso bate-papo, são desperdiçadas. Frivolidades, sentimentos rasos, vazio existencial. Nas escolas, os “Lucas e Carines” se formarão e serão os advogados, os médicos, os engenheiros, os psicólogos e toda a sorte de “doutores” e políticos que “servirão” à sociedade. Sem conteúdo, sem objetivos concretos, sem compreensão do amor na sua essência e, portanto, sem conceitos e valores reais. Munidos apenas e tão somente dos conhecimentos adquiridos nos bancos das faculdades, e com poucos e distorcidos conhecimento da vida. Valores morais como dignidade, compaixão e caridade, dentre outros, são apenas conceitos abstratos, próprios dos filósofos de antigamente. Na política, alguns deles irão administrar o seu país com sua riqueza, os recursos primários e os recursos naturais como o petróleo, o ouro, a água, a fauna e a flora, a vida dos índios nativos e, perceba, até a sua vida, em toda sua complexidade.

Mas nos teatros da vida também se constroem relações proveitosas, onde outros jovens, ao contrário dos Lucas e Carines, aprimoram seus conhecimentos lendo, refletindo a própria existência e debatendo assuntos relevantes para o autoconhecimento, para as questões humanas e a vida no planeta como um todo. Serão os melhores advogados, médicos, engenheiros, psicólogos e políticos que servirão à sociedade. Eles também vão às baladas, mas não perdem tempo com futilidades, pois vivem com sabedoria, e aprendem a construir carreiras e relações fortes e duradouras, de amor e de amizade. Assim segue a vida, assim caminha a humanidade. Entre sonhos, fantasias, objetivos e metas, todos fazemos parte desse “jogo de viver”. Nos quartéis, palácios, escolas, igrejas ou nas baladas da vida, somos todos atores a representar papéis, no imenso palco das relações e das ilusões sociais.

 AHMAD SUNBULAT NETO

Personal Coach || Consultor de Carreira || Analista Quântico

(32) 8706-1146 || (31) 8590-4267 || www.viverideal.com.br


terça-feira, 18 de março de 2014

Na prisão do próprio medo



Por:  AHMAD SUNBULAT NETO

Life Personal Coach || Consultor de Carreira || Analista Quântico

(32) 8706-1146 || (31) 8590-4267 || www.viverideal.com.br




Um perfil humano bastante comum é o das pessoas que se fecham, com medo da vida. Elas têm medo de conquistar, medo de amar, medo de conhecer, etc. Parecem não saber como lidar com os resultados de suas tentativas, mesmo que ele seja bom. Chega a ser intrigante o fato de haver pessoas que passam a vida amargando a pobreza, com medo de enriquecer. Enriquecer é, talvez, o desejo da maioria das pessoas. Mas, acredite; há pessoas que, embora, reúnam todas as condições para isso, não o fazem, e acabam por envelhecer em meio a dificuldades financeiras. Desde cedo, aprendem uma boa profissão, conseguem ótimos empregos ou empreendem muito bem o próprio negócio, mas não prosperam. No decorrer da vida, observamos pessoas assim, hábeis trabalhadoras, mente lógica, talentosas, com grande senso prático, com capacidade para fazer bons negócios e, no entanto, envelhecem pobres, quando não, dependentes dos filhos. Gente que convive com elas, que acompanham suas vidas desde sempre, dizem que não sabem como não conquistaram sequer dinheiro suficiente para ter uma velhice ao menos confortável. As oportunidades vieram várias durante a vida, mas simplesmente, não aproveitaram. Algumas pessoas são assim, no campo das emoções. Estão sempre esperando “a pessoa certa”, só que a pessoa certa chegou, foi embora e ela não se abriu para o amor. Outras “pessoas certas” chegaram e se foram e, ela, nada. Têm, também, aquelas pessoas que querem estudar mais, se formar em uma universidade e nunca realizam. Durante a mocidade, dizem que trabalham demais e não têm tempo. Na fase mais madura, quando os filhos já trabalham e se sustentam sozinhos, dizem que o tempo passou e que perderam o entusiasmo. Entre algumas das causas prováveis, uma merece destaque: O medo do sucesso os faz prisioneiros de si próprios. Enquanto uns não enriquecem por não serem capazes de administrar seus ganhos, outros, simplesmente deixam as oportunidades passarem. A sensação que lhes é comum é a da insegurança. Não se sentem bem, fora do seu mundo particular, do seu lugar comum. No amor, o medo de sofrer, com a possível perda da pessoa amada, os faz desistir de tentar, de se entregar e, quando arriscam, qualquer contrariedade, mesmo as mais comuns entre casais, os faz recuar, dizendo não a iminente felicidade. Chamamos a isso de, “sofrer por antecedência”.

No mundo profissional, quando as oportunidades de crescer em suas carreiras aparecem, chegam a recusar cargos importantes, como por exemplo, o de liderança de grupos ou de setor.  Alegando não terem capacidade de exercer uma função mais importante, e por acharem que seus colegas de trabalho se afastarão deles, não aceitam o desafio. No fundo, têm medo do sucesso a que fazem jus. Pessoas que empreendem o próprio negócio e passam anos do mesmo jeito, com a mesma estrutura, que não se atualizam regularmente, envelhecem mergulhadas nas próprias dificuldades, até serem engolidas pela concorrência. Alguns empreendedores, só buscam solução quando já não há quase nada mais a se fazer. Há algum tempo, atendi uma empresária que me pediu consultoria para resgatar seu restaurante de comida árabe no centro de uma importante capital brasileira. Havia passado anos sem reciclar seus conhecimentos e sem empreender melhorias na empresa. Com os funcionários desatualizados e desmotivados, os clientes se afastaram. No início do negócio, vinte anos antes, era o único do gênero nas redondezas. Ainda no primeiro ano, apareceu um concorrente. Dois anos mais tarde, já eram três e, mais recentemente, seis concorrentes. O medo de colher os bons resultados do crescimento a fez ficar na mesma posição durante os anos em que o negócio funcionou. Quando alguém sugeria que fizesse cursos, que reciclasse os funcionários e o cardápio, dizia; “Tá bom assim, não precisa mais nada”. Com receio de crescer, se fez vitima do atraso. Falida, se deu conta de que fora descuidada. Iniciei o atendimento ajudando-a a sair do cárcere da inércia, que a prendia pelo medo do sucesso, na prisão do próprio medo.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Mulheres com mais de 70 têm 'o melhor sexo de suas vidas'




Segundo a crença popular, o desejo e a atividade sexual diminuem com a idade, especialmente nas mulheres. Mas uma acadêmica da American University, de Washington, sugere que mulheres com mais de 70, 80 ou até 90 desfrutam a melhor atividade sexual de suas vidas.
Iris Krasnow, professora de Jornalismo e Estudos Femininos, entrevistou 150 mulheres entre 20 e 90 anos sobre os seus segredos mais íntimos e teve conversas surpreendentes e reveladoras - que acabada de publicar no livro Sex After...: Women Share How Intimacy Changes as Life Changes ("Sexo depois dos...: Mulheres compartilham como a intimidade muda com as mudanças da vida", em tradução livre).

Descobriu que as mulheres mais velhas eram mais aventureiras e mais confiantes na sua sexualidade que as jovens que estão em fase de "envolvimento" ou namoro. "A era da senhora", diz.Krasnow abordou o assunto de vários ângulos, indagando sobre a atividade sexual em diferentes fases da vida: depois da faculdade, da maternidade, da menopausa e da viuvez.

'Frágil, enrugada e seca'

Suas entrevistadas eram de diferentes idades, classes sociais, raças, culturas e religiões. Mas o fator comum é que relatos de sexo bom estavam sempre ligados ao desenvolvimento de intimidade e conexão emocional.
"As pessoas pensam sobre o sexo até o momento em que morrem", disse Iris Krasnow, em entrevista à BBC Mundo (serviço espanhol).
E, de acordo com o que dizem, não estão só pensando, mas também praticando e se divertindo. "A era da mulher de 78 anos, frágil, enrugada e seca é coisa do passado", disse a autora.
Ela acrescentou que as mulheres entre 80 e 90 anos estão na faixa etária que mais cresce dentro da população idosa, em muitos países ocidentais. O que estamos vendo agora é não só um aumento na longevidade, mas o aumento da atividade sexual neste setor da sociedade.
Este crescimento da expectativa de vida vem com melhores remédios, mais vigor, mais exercício, melhor dieta e saúde - o que resulta numa população de terceira idade mais sexual e saudável do que antes.

Igualmente arcaico, indica Krasnow, é o mito de que as mudanças fisiológicas, como a menopausa, cirurgias de câncer ou histerectomia (retirada do útero), não permitem o desenvolvimento da atividade sexual saudável.
"Uma das minhas entrevistadas fez uma histerectomia aos 30 e, depois disso, melhorou sua vida sexual", deu como exemplo. "Também inclui no livro as histórias de mulheres de 90 que estão iniciando relacionamentos", destacou.
Segundo a especialista em Estudos Femininos, a alegada incapacidade das mulheres permanecerem sexualmente ativas na velhice é um mito perpetuado por homens mais velhos que querem firmar sua juventude e, com a ajuda de Viagra, buscam relacionamentos com mulheres mais novas.
Embora não seja necessariamente defensora do uso de medicamentos, que podem ter efeitos colaterais graves, a acadêmica argumenta que hoje há acesso a uma gama de opções de tratamentos, desde os hormonais e lubrificantes aos antidepressivos, que podem devolver o entusiasmo e a capacidade de desfrutar do sexo.

Saúde e aparência

Iris Krasnow divide as mulheres que se reencontram com sua sexualidade após os 65 anos em duas categorias:
A primeira é a do "ninho vazio" - aquela mulher que terminou de criar os filhos, adolescentes e estudantes universitários, e estes já saíram de casa.
Se antes estavam sobrecarregadas pela agitação doméstica, ocupadas em levar as crianças para lá e para cá ou preocupadas com que alguma delas a surpreendesse fazendo amor com seu parceiro, agora estão comemorando as possibilidades oferecidas por esta última fase da vida.
Essas mulheres e seus parceiros estão geralmente aposentados, mas ativos e conectados com o mundo exterior por meio de dispositivos modernos e redes de comunicação. Mas, principalmente, eles estão relaxados.
"Uma mulher me disse que, pela primeira vez, fez sexo na cozinha e estava experimentando um vibrador", disse Krasnow.
A outra categoria é a viúva. A mulher que foi casada por 55 anos e cuja vida sexual passou de ardente a aborrecida e, finalmente, inexistente. A que cuidou de seu marido doente por dez anos e o viu morrer.
"Agora essa viúva conhece outro viúvo - jogando golfe ou cartas - e os dois começam a praticar carícias de formas que nunca fizeram. Isso torna-se o melhor sexo de suas vidas", disse ela.

Um aspecto importante é a boa saúde, conseguida através de atividade e dietaadequadas.
As pessoas que vivem um estilo de vida sedentário e comendo demais não só se sentem mal, como não gostam como se vêem, afirma Krasnow.
"Alguém com sobrepeso geralmente têm outros problemas, come para preencher um buraco em sua alma", disse ela. "Se você estiver com sobrepeso, certamente não tem boa circulação e não há irrigação para os órgãos genitais. Sexo é a irrigação", observa.
"100% das mulheres em seus 70 e 80 anos que disseram que estavam tendo um bom sexo estão em excelente condição física", contou.
Sexo, por sua vez, prolonga a vida, assegura a pesquisadora. "Fisiologicamente, mantém o coração andando, as entranhas andando, o corpo andando, a vida andando".

Intimidade

Mas o mais importante no desenvolvimento de uma boa prática sexual é a conexão emocional. O sexo é melhor quando há uma emoção igualmente profunda.
Krasnow chegou a essa conclusão depois de entrevistar milhares de casais ao longo de mais de três décadas.
"A pessoa que diz que só quer sexo sem amor mente. Todo mundo quer amar e ser amado. Isso é uma sensação primária que todos buscamos, sentir-se único nos olhos do amante", diz.
"Tudo parte de uma química sexual, explica, e, se essa química converte-se em compromisso e amor, o casal tem uma boa chance de sucesso e uma vida longa juntos. E se os dois estão de acordo com a evolução sexual de ambos, tudo fluirá bem", nota.
"Se você escolhe um parceiro desejado e sua mente pode se adaptar a um corpo envelhecido, sexualmente qualquer coisa é possível", acrescenta.
Nem tudo tem que ser sexo na cozinha ou de alta intensidade, Krasnow explica. Pode ser uma boa sessão de amasso ou uma massagem lenta e concentrada.
"O que pode ser melhor que isso? Sexo é o vínculo que temos com a nossa juventude. Nos mantém feliz, jovens e vivos".

Fonte: BBC Brasil