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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O Saudoso Zacarias



Mauro Faccio Gonçalves, mais conhecido como Zacarias nasceu em uma família humilde com onze irmãos. Nascido em Sete Lagoas, cidade do interior de Minas Gerais. Antes de se tornar famoso, foi vendedor de sapatos e trabalhou em uma fábrica de café, onde seu pai já trabalhava.

Mauro estudou no Colégio Diocesano Dom Silvério de Sete Lagoas. Começou a carreira no rádio em 1955, na Rádio Cultura de Sete Lagoas, num programa humorístico chamado Em Babozal Era Assim. No ano seguinte, formou-se técnico em contabilidade pela Escola Técnica de Comércio de Sete Lagoas. Através do humor, logo tornou-se conhecido pela habilidade de trocar de vozes, criando vários tipos completamente diferentes, e de imitar animais com rara perfeição.

Mudou-se para Belo Horizonte em 1957, onde tentou estudar Arquitetura, trabalhando ao mesmo tempo como bancário. Porém, dificuldades financeiras o impediram de iniciar o curso. Na capital mineira, Mauro trabalhou na Rádio Inconfidência, fazendo três programas, sendo que o que mais o marcou como comediante foi Arte Final. Logo veio o reconhecimento: foi considerado o melhor comediante do rádio de 1960 a1963. Ainda em Belo Horizonte, fez sua estreia na televisão, na TV Itacolomi, no programa Tribunal de Calouros.

Em 1963, recebeu uma proposta para trabalhar na TV Excelsior do Rio de Janeiro, a convite de Wilton Franco. Apesar da timidez - que inicialmente o impedia de trabalhar na televisão - Mauro estreou em um programa de calouros, onde criou cinco personagens, incluindo o Garçom Moranguinho, fazendo grande sucesso inspirado num garçom da terra natal dele. Mais tarde, foi para a Rede Record, para fazer parte do elenco de A Praça da Alegria e Os Insociáveis. Sua participação no programa fez com que Renato Aragão o convidasse para ser efetivado no grupo de "Os Trapalhões". Mauro foi o último a integrar o grupo, do qual já faziam parte Didi, Dedé e Mussum, completando assim a formação do quarteto em 1976.

Além do personagem Zacarias, Mauro Gonçalves também era a voz que interagia com o personagem Aparício, interpretado por Renato Aragão, e fez um filme com Roberto Machado, intitulado Deu A Louca Nas Mulheres. Em 1970, foi premiado pela sua interpretação na peça"A Dama do Camarote". Permaneceu no grupo de "Os Trapalhões" até 1990, ano em que faleceu. Seu último filme foi Uma Escola Atrapalhada.

Zacarias faleceu em 18 de março de 1990, aos 56 anos. Embora a família do ator tivesse omitido a razão de sua morte, o boletim médico liberado para a imprensa pela Clínica São Vicente, localizada na Gávea, no Rio de Janeiro diz que o ator teve insuficiência respiratória em consequência de uma infecção pulmonar, muitos rumores dizem que foi devido ao enfraquecimento de seu sistema imunológico devido a dietas e a boatos não confirmados sobre ele ter tido AIDS. De lá, seu corpo foi embalsamado e levado para Sete Lagoas, onde foi sepultado. Seu falecimento chocou muitas crianças, já que na época ele estava em plena atividade. Sem falar em seus dois companheiros Renato Aragão e Dedé Santana, que compareceram ao velório emocionadíssimos. Renato declarou que seu filho caçula havia morrido e que Zacarias nunca havia crescido, pois o considerava como um menino, emocionado e chorando aos prantos, no caixão. Mussum não pôde comparecer por estar fora da cidade.

O Trapalhão Zacarias

Zacarias era caracterizado pelo jeito infantil e ligeiramente afetado (embora sem conotação homossexual), pela peruca (Mauro Gonçalves era calvo) e pela risada característica. Mauro dizia que "Zacarias" era o nome de um galo que ele tinha na infância, e desde pequeno o chamavam assim.

Seu personagem foi o mais caricato de todos, marcado por seu dentes saltados e sua risada inconfundível, e pelo constante assédio à sua peruca (sempre alguém ou algo roubava sua peruca, ele desesperadamente se esforçava para recuperá-la em meio a gritos e lamúrias).

Devido a ação judicial movida pela família do humorista relativa a direitos autorais, o personagem criado por Gonçalves teve seu nome alterado para "Zacaria" na série de quadrinhos editada pela Editora Abril.

Após o seu falecimento, em um processo movido em 1998, os familiares do humorista reivindicam uma indenização à Rede Globo referente ao pagamento dos direitos autorais do artista pelas retransmissões do programa Os Trapalhões, entre 1989 e 1998.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Os Trapalhões



  • A primeira formação de "Os Trapalhões" tinha Renato Aragão (Didi), Wanderley Cardoso, Ivon Cury e Ted Boy Marino. O programa chamava-se "Adoráveis Trapalhões" e era apresentado pela TV Excelsior, em 1965. 
     
  • Antônio Carlos Bernardes Gomes, o Mussum, ganhou esse apelido antes da formação dos Trapalhões, em 1965. O humorista participou do programa “Bairro feliz”, da TV Globo.  Na época, ainda servia ao Exército e se apresentava escondido, pois seus superiores não aprovavam sua carreira de humorista. Estava sempre barbeado e com a cabeça raspada e, por isso, recebeu o apelide de “mussum”, um peixe escuro e sem escamas.
     
  • Em 1971, a TV Record o contratou Renato Aragão e criou “Os insociáveis”. O parceiro dele, dessa vez, era Manfried Santana (Dedé). Eles já haviam trabalhado juntos, em 1966, no filme “Na onda do Iê Iê Iê”, e no programa da “Didi & Dedé”, de 1968, da TV Excelsior.
     
  • “Os insociáveis” tinha uma hora de duração, e Renato Aragão achava que dois comediantes seriam insuficientes. Foi então que convidou Mussum para fazer parte do grupo, depois de assistir ao humorista em um quadro do programa de Chico Anysio.
     
  • A formação mais famosa, com Dedé, Didi, Mussum, e Zacarias (Mauro Faccio Gonçalves), começou em 1975, na TV Tupi. Foi para a TV Globo em 13/03/1977, e ficou até 27/08/1995. Era exibido aos domingos, às 19 h.
     
  • Os Trapalhões evidenciavam a produção de um programa para televisão. Didi chegou a levantar a grama cenográfica, chutar pedras de isopor para cima, atravessar paredes falsas e debochar por estar se afogando em um mar de papel celofane. Ele recebeu críticas por “desmistificar a televisão”, mas a direção do programa continuou dando carta branca para essas brincadeiras. 
     
  • Renato Aragão criou bordões famosos: “audácia da pilombeta!”, “é fria!” (encrenca); “bufunfa” (dinheiro), “poupança” (glúteos), “tesouro” ou “bicho bom” (mulher bonita). Ele também se comunicava com o telespectador do programa chamando-o de “da poltrona”.
     
  • Mussum ficou famoso pela sua pronúncia de “forever” (para sempre, em inglês). O humorista usava a expressão “forévis” para se referir a várias coisas, principalmente aos glúteos.  
  • O programa “Os Trapalhões” foi vendido para outros países: Angola, Canadá, Estados Unidos e Portugal.
     
  • O primeiro filme do quarteto foi "Os Trapalhões na Guerra dos Planetas", de 1978. 
     
  • Em 1983, o grupo ficou separado por 6 meses. Nesse período, Dedé, Mussum e Zacarias fizeram o filme "Atrapalhando a Suate", e Didi fez "O Trapalhão na Arca de Noé". 
     
  • O grupo se desfez depois da morte de Mussum, em 29 de julho de 1994. Antes dele, havia morrido Zacarias, em 18 de março de 1990. Com a perda dos companheiros, Renato Aragão ficou em depressão por seis anos. 
     
  • Com o fim do grupo, Renato Aragão e Manfried Santana se desentenderam. Manfried passou por dificuldades financeiras, e deu declarações à imprensa de que tinha mágoas por Renato não tê-lo convidado para trabalhar na “Turma do Didi”, que estreou na Globo em 1998. Os amigos se reconciliaram em 2004, durante o programa “Criança Esperança”. Hoje, ambos negam que tenha o conflito tenha existido.
Fonte: Site Guia dos Curiosos